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The Offspring's 'Smash: O pequeno LP punk que derrotou os maiorais - PARTE 2

Fala, galera! Se liga na segunda parte da entrevista que o The Offspring deu para a Rolling Stone em abril de 2014!

 

"Gurewitz: Até aquele momento eu realmente não achava que nenhuma das nossa bandas iria estourar. Tivemos alguns grupos na Epitaph que eram maiores que outros, mas nenhum deles nunca tinha chegado a esse nível de aceitação. Nem perto disso. O que o Offspring fez foi passar por cima de todo mundo.

Noodles: Nós fizemos o vídeo do “Come Out and Play” com o Darren Lavett por, tipo, $5.000. O que foi inédito. Guns 'N Roses estava gastando milhões de dólares fazendo vídeos, mas nós filmamos o nosso na casa de um cara em um subúrbio de L.A. A gente ficou amontoado na garagem dele e cobrimos as paredes com mylar, tipo o que você vê nos balões de hélio. Fazia um milhão de graus lá dentro. Depois nós trouxemos um grande fã. Então esse plástico refletivo ficava meio que voando ao nosso redor enquanto a gente tocava. Eu acho que a maior parte do orçamento foi gasto em cerveja e carne para o churrasco depois da filmagem.

Holland: Depois, foi tipo “Ok, você está na MTV, você está no rádio, vá pegar a estrada!” Então nós tocamos em lugares com capacidade para 500 pessoas, em todo o país. E quando voltamos para casa depois disso, “Come Out and Play” acabou e “Self Steem” se tornou hit, aí foi “Agora você vai lá tocar nos teatros pequenos.” Então nós saímos por todo o país de novo, tocando em lugares com capacidade para 1.500 pessoas. No final, nós estávamos tocando para 5.000 pessoas. Acho que fizemos mais de 200 shows por causa dessa música.

Gurewitz: Foi impressionante e um pouco assustador. Na época, a Epitaph era uma empresa de talvez cinco ou seis pessoas, inclusive eu. E nós tivemos que atender a essa demanda incrível. Nós tinhamos discos do Offspring ocupando o meu prédio inteiro na Santa Monica Blvd., do chão até o teto. O interior do prédio parecia um cubo maluco, cheio de vinis do Offspring, cassetes e CDs. Depois um outro prédio nosso no centro da cidade também estava lotado, além de um espaço alugado em edifícios externos. Em um determinado ponto, a coisa começou a vender tão rápido que nós começamos a distribuir diretamente às principais lojas de música do centro, ignorando totalmente os distribuidores. A música do Offspring foi sugada das lojas. Isso influenciou na minha decisão de sair do Bad Religion. Smash já era ouro ou platina, e eu tinha acabado de escrever o que seria o meu melhor álbum [Bad Religion's Atlantic – Stranger Than Fiction]. Eu tinha 32 anos, e parecia que o universo estava me dizendo que era o momento ideal para uma mudança. 

 


 

Rick Sims, ex-vocalista e guitarrista, The Didjits, co-autor de “Killboy Powerhead”: Eu ouvi de algumas pessoas, “Ei, você sabia que o The Offspring fez um cover da sua música?” E eu fiquei pensando, “Isso é ótimo! Eles gostaram da música.” Eu não pensei em ligar para eles e dizer: “Cadê o meu dinheiro?” Mas depois um amigo me disse, “Bem, você sabia que eles já venderam, tipo, 50.000 cópias desse álbum?” Então eu finalmente liguei para a Epitaph e conversei com o Brett. Eu descobri que eu poderia estar olhando para alguns mil dólares! E ele ficou, tipo “Ei, é, parece que a gente te deve algum dinheiro.” Eu nem precisei pedir para ele. Eu só disse: “Ótimo! Eu aceito a grana!” Depois eu perguntei para ele quantas cópias eles venderam. Ele disse, “Bem, vai para ouro na semana que vem.” Meu queixo caiu no chão. Então, se eu gosto da versão deles da minha música? Eu amoooo a versão deles! Eu continuo morando na casa que o The Offspring pagou para mim. Eu continuo dirigindo o carro que o Offspring pagou. Quem paga a minha aposentadoria é o The Offspring.

Gurewitz: Foi grande. Fui confrontado por cada grande gravadora vindo para cima de mim, dizendo: “Isso é maior do que você pode aguentar.” “Você deveria se aventurar conosco.” “Você deveria vender a metade da sua empresa para a gente.” Mas eu decidi continuar com as minhas origens e permanecer indie. Mas isso significava gastar tudo. Eu literalmente tive que hipotecar a minha casa duas vezes para ter o dinheiro para fazer álbuns suficientes. Eu coloquei tudo em risco acreditando que um indie poderia fazer isso como ninguém.

Noodles: Na época que o Smash começou a deslanchar, Epitaph não tinha todos os recursos que uma grande gravadora teria para gravar um álbum. Eles não tinham o pessoal da rádio, eles não tinham as pessoas da imprensa. Existem vários pequenos fatores que fazem um álbum ser feito e depois divulgado. Então nós gastamos muito do nosso bolso nesse tipo de coisa, tentando fazer com que o álbum funcionasse. E fazendo isso nós não estávamos apenas investindo em nós mesmos, mas também na Epitaph. Então, quando chegou a hora de renegociar o nosso contrato, nós achávamos que merecíamos mais do que Brett estava disposto a nos dar. Ele foi muito hesitante em fazer algo que fosse fora do normal. E nós sentimos que tínhamos feito algo incrível e merecíamos mais do que isso.

Holland: Por um lado, a Epitaph estava tentando fazer o melhor que eles podiam com a sua marca e tomaram algumas liberdades que eles não deveriam ter. Por outro lado, nos sentimos tipo: “Bem, se nós somos 95% das suas vendas, nós devemos ser tratados como tal.”

Noodles: E então [Gurewitz] estava viajando por aí com caras tipo o Richard Branson! A tensão ficou grande.

Gurewitz: Eu nunca quis vender a minha marca para uma marca maior. Eu nunca quis vender o Offspring para uma marca maior. Quer dizer, eu venho fazendo isso desde 1981. E em 2014 eu ainda não vendi a minha marca. Mas eu não os culpo por pensarem assim. Talvez alguém tenha dito isso para eles e eles acharam que era verdade. Foram tempos confusos.

Holland: Nós estávamos tentando lidar com isso da melhor maneira possível. Nós éramos os que estavam ficando para trás para tentar manter o rótulo indie. Porque isso parecia a coisa certa a ser feita. Nós éramos parte de uma marca com bandas que eram realmente nossas amigas. E naquele momento, ninguém permaneceu indie, nem o Beck ou Nine Inch Nails. Tos eles migraram para outros estilos. Mas nós estávamos trabalhando duro para manter a coisa fluindo. Nós tentamos trabalhar assim por, tipo, um ano e meio, dois anos. Mas não conseguimos.

Noodles: Então nós acabamos fechando com a Columbia [antes de 1997 de Ixnay on the Hombre]. E, de repente, nós estávamos nos esforçando muito para fazer algo maior, e também para fazer essa música ficar popular. Então você tinha caras tipo o Billie Joe [Armstrong] e Green Day, e ele estavam se esforçando muito também. Tipo, “Oh, cara! Eles estão vendendo muito! Eles não são punks!”

Holland: Não é irônico? Você começa uma banda punk porque você se sente excluído. Aí a sua banda punk cresce e você se sente excluído de novo.

 

 


 

Gurewitz: Uma coisa que eu definitivamente me arrependo é das palavras que foram ditas na imprensa. Eu gostaria de nunca ter dito uma palavra depreciativa sobre o Offspring. E eu gostaria que eles não tivessem feito o mesmo comigo. Mas as emoções esquentaram. E eu realmente não acho que qualquer músico deva ser julgado pelas pessoas por ter fechado qualquer negócio para si. O fato é que o Offspring assinou contrato com a Sony. Eles não estavam fazendo brigas de galo no quintal. Eles não estavam derramando petróleo na costa. Eles assinaram com uma marca maior. Quem se importa?

Holland: Houve alguma tensão com as pessoas, com algumas outras bandas? Houve um pouco de estranheza. Sempre houve uma espécie de rivalidade amigável, mas quando as coisas ficavam realmente grandes talvez houvesse um pouco de ciúme também... Em algum momento [banda punk veterana Orange County] Agent Orange disse que nós o roubamos. [Robbie Fileds, que detinha o direito autoral de “Bloodstains” da Agent Orange, afirmou que o Offspring roubou uma parte do solo de guitarra da música e o colocou em “Come Out and Play”] Isso foi realmente uma pena porque nós éramos fãs do Agent Orange. E é claro que eu estava familiarizado com o som deles, mas dizer que estávamos roubando não era verdade mesmo. Nós estávamos falando de algo que foi interiamente tirado do surf music. Dick Dale ou qualquer outra coisa. Ele realmente não tinha nada a ver com essa banda. E ver isso sendo dito contra nós fez com que a gente abrisse os olhos, tipo: “Uau, as coisas realmente mudaram para a gente agora.” Antes, nós não percebemos e agora estamos aqui, um alvo.

Gurewitz: Não chegou a virar uma briga judicial, mas eu lembro que houve muita reclamação e muito barulho. Eu achei que não tinha fundamento algum.

Holland: Eventualmente, um oficial olhou para a queixa e disse: “Isso é ridículo. Não é a mesma coisa de jeito nenhum.” Então, nós estávamos totalmente certos no final das contas. Mas foi algo lamentável. Anos mais tarde, nós de fato fizemos um cover de “Bloodstain” [para a trilha sonora do filme de David Arquette em 2000, Ready to Rumble]. Irônico, não?

Gurewitz: O que as pessoas precisam lembrar é que, hoje, o indie é visto apenas como estilo musical. Mas naquela época ele tinha uma definição qualitativa. E nunca tinha havido um disco de rock tão bem sucedido como o Smash. Ele elevou o nível do mar não apenas para o Offspring e para a Epitaph, mas para toda a rede – as lojas independentes de discos, os distribuidores, as marcas, os promotores, as revistas, e assim por diante. Foi um salto gigante para todo o setor indie. E isso é apenas parte do que significou para mim. Não foi apenas: “Ei, vamos trazer o punk rock para o mainstream!” Foi, “Vamos trazer o espírito do punk rock para o mainstream.”

Holland: Foi um momento louco e complicado, mas faz parte do pacote. Eu estou orgulhoso do que fomos capazes de fazer com a Epitaph, e eu seria o último cara a reclamar de qualquer coisa. Porra, eu sou o vocalista de uma banda de rock – Eu tenho o melhor emprego do mundo!

Noodles: Se há qualquer legado para o Smash este é o espírito independente desse álbum. Porque nós derrubamos Golias com a Epitaph. E eu espero que isso tenha ressoado de alguma forma. Mas, quem sabe? Recentemente eu vi Macklemore em uma entrevista para o The Colbert – e eu gosto de Macklemore – e ele estava falando sobre o sucesso que teve. Ele estava contando como eles lançaram um disco independente, como eles contrataram o seu próprio pessoal na rádio, e todo o resto, e que isso é inédito e ninguém nunca o fez antes. E eu disse a mim mesmo: “É, talvez nem tanto. Talvez isso já tenha acontecido antes...”

 

 

Traduzido para o português por Isabella Guzzardi Hable

 

Link da entrevista original: http://www.rollingstone.com/music/news/the-offsprings-smash-the-little-punk-lp-that-defeated-the-majors-20140408?page=2

Postado por IsabellaGuzzardi | 2-07-2016
#TheOfsspring; #Smash; #BadReligion; #Epitaph; #Columbia



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